O maior monstro da cidade

"Inaugurado em 1966, o Mirante do Vale foi, até 2014, o maior arranha-céu do Brasil. 170 metros de altura, 51 andares, 12 elevadores, mais de 1200 escritórios: uma obra de engenheiro, preferindo o poder das cifras aos ornamentos"

O “Mirante do Vale” é o prédio mais alto de São Paulo, mas poucos o sabem. Talvez porque o prédio não foi idealizado para ser admirado, mas sim para cumprir uma função: a de “monocultura de escritórios”.

 O Mirante é uma memória viva da cidade, um emblema da arquitetura brutalista, típica de São Paulo. Foi a maior estrutura de concreto do mundo no momento de sua construção, o maior arranha-céu do Brasil de 1966 até 2014, simbolizando, acho, o “reino dos engenheiros”.

Aqueles que o idealizaram, Waldomiro Zarur e Aron Kogam, raciocinaram em termos de custo/benefício, otimizaram, focados inteiramente na eficiência do edifício em cumprir uma função predefinida: econômica. Aqui manda a lei dos números, implacável, desumanizante. 
Simbolicamente, esse gigante de concreto parece um monumento erguido para o culto ao trabalho, a eficiência que São Paulo tanto adora.

Metaforicamente, esse filho da hybris paulistana prolonga nas alturas o espírito de conquista do qual a cidade tanto se prevaleceu.
O “Mirante” controla o horizonte e o futuro. Atrevendo-se num paralelo mais ousado, será que este prédio e seus irmãos de aço não atualizam, na mitologia paulistana, aquela “raça de gigantes” destinada a liderar o Brasil?

Mas qual é o futuro de tais prédios? Eficientes por um tempo, as monoculturas são também vulneráveis à interferências econômicas, sociais e ambientais.


Desconectados dos tecidos urbanos, esses gigantes de concreto tem pés de barro : envelhecem mal, são energívoros e difíceis de
transformar. O abandono os ameaça. Como reverter tal processo?

Finalmente, chamar o Mirante de “monstro” não impede de sentir por ele uma certa fascinação, e até um carinho. 
Monstros, e daí? No Frankenstein, King Kong, na Bela e a Fera, os monstros nos servem de espelhos, questionam nossa humanidade. O que nós aprendemos com essas histórias é que os monstros apenas precisam ser aceitos como são, simplesmente, ser amados.

Se perder nas entranhas do Mirante, em vídeos.

produção, Charly Andral (andar43) e Felipe Scaldini - 2020

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Primeiro passeio 

Correndo atrás da famosa Angélica, corretora especialista do Edificio. 
O que? Pessoas foram assassinadas no Mirante? O Beto, da sala 321, nos conta. Derrubamos as paredes no andar 39 e encontramos Dr Paula e a Sra. Arlette, produtoras da “TVsosite”, um canal evangelista sediado no andar 40. 

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Pilantragem nas alturas

Corredores desertos, segurança precária, falcatruas… ao longo de sua vida movimentada o Mirante acabou assustando muitos visitantes. 
Era esta má fama justificada?

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Lindo? Feio? Polemico! 

Os frequentadores do edifício acabaram criando uma relação 

 ambivalente com ele.  Sentindo a “beleza dentro da feiura”.

Aqui os testemunhos do Magno, Beto, Alexandre e até do Antonio, dono do Sampasky.

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O renascimento

Imaginam um prédio comercial, bem antigo, meio vazio, com escritórios minúsculos e taxa de condomínio absurda... quem botaria fé nele? 

Entrevistamos arquitetos, investidores, para entender o recém renascimento do prédio.

Você conhece o Mirante? Ficamos curioso ler sua historia!

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